'Jacksonology': Canal compartilha arquivo de entrevistas com Prince, Paris e Bigi
Pergunta: Me conta mais sobre como ele era como pai. Que tipo de pai ele era?
Prince: Ele era muito engraçado. Sempre nos incentivava a continuar aprendendo e nos motivava a dar o nosso melhor. Ele gostava de nos ensinar palavras novas. Lembro de uma delas: "topografia". Ele dizia algo como: "Quem usar essa palavra mais vezes durante o dia ganha um doce." Então ele ensinava a mim, ao meu irmão e à minha irmã várias palavras que normalmente as pessoas não usam muito. Ele tentava ampliar o nosso vocabulário. Ele também abriu nossos olhos para outras culturas, porque respeitava cada cultura individualmente, suas religiões, tradições e tudo o que faziam. Ele incentivava muito a leitura, porque acreditava que isso ajudava a desenvolver a capacidade de contar histórias e de escrever. A gente também assistia a filmes sem som. Primeiro, víamos o filme normalmente, e depois ele desligava o áudio para mostrar como o diretor fazia os cortes entre as cenas, as transições, os fades. Ele também mostrava que um filme de terror não é tão assustador sem a trilha sonora. Você tira o som e não sobra nada de assustador. Ele nos ensinou muito sobre isso. Quando contei que queria trabalhar com direção de cinema, ele contratou um professor de cinema da USC, eu acho. A gente começou a estudar e fez vários vídeos legais. Ele nos apoiava em tudo o que queríamos fazer.
Pergunta: Uau, parece que ele era um ótimo pai. E vocês viajavam muito...
Prince: Sim. Sempre que podia, ele nos levava junto nas viagens de trabalho.
Pergunta: Me conta sobre quando vocês saíram de Neverland…
Prince: Neverland era o único lar que a gente conhecia. E, sinceramente, talvez seja o único lugar que eu realmente considere como lar até hoje. Era o meu mundo inteiro. Eu estava acostumado com aquilo. Eu não sabia por que fomos embora. Algumas pessoas me contaram coisas ao longo do tempo, mas eu só ouço quando vem de amigos mais próximos que meu pai manteve por perto. Eles foram me explicando aos poucos, mas, naquela época, eu não entendia o que estava acontecendo. Eu achava que a gente estava saindo de férias e que logo voltaria.
A única coisa que eu não gostava era da viagem de carro, porque eu enjoava muito quando era pequeno. Eu odiava andar de carro. Eu dormi a viagem inteira e nem sabia para onde estávamos indo. Na verdade, nem me lembro direito para onde fomos depois de Neverland.
Mas eu adorava viajar com ele. Viajar de avião era algo comum pra mim, e eu amava isso. Era muito divertido. Tenho ótimas lembranças do Bahrein, porque ele adorava calor, e eu também. Mas lá é tão úmido que os óculos dele embaçavam em poucos segundos quando a gente saía. Por isso, a gente costumava passear mais à noite. À noite fazia uns 27 graus. Eu me lembro de que, todas as noites, a gente subia no terraço para olhar o céu. Ele me dava um Snickers e uma Coca-Cola, e aquilo virou um ritual nosso. Até hoje eu gosto de olhar para o céu à noite.
Pergunta: O que ele te ensinava nesses momentos?
Prince: Ele me falava sobre o universo, sobre como ele está em constante expansão. Acho que ele tinha um lado bem filosófico. Ele acreditava em uma força superior. Acreditava em Jeová, ou em Deus, independentemente da religião de cada pessoa. Mas ele não se prendia muito às regras religiosas do tipo "você pode fazer isso" ou "você não pode fazer aquilo". Ele respeitava todas as religiões. Ele acreditava que existia algo maior. Dizia que o universo está sempre se expandindo e que cada uma daquelas estrelas é tão grande quanto o nosso Sol, ou até maior. Ele falava que não fazia sentido sermos o único planeta com vida. Não sei se ele estava falando sobre alienígenas. Acho que ele queria mostrar o quão imenso é o universo. Ele também falava sobre como o mundo é bonito e se perguntava quem poderia ter criado algo tão incrível. Por isso, a gente conversava muito sobre Deus. Ele se encantava com tudo. Adorava flamingos, por exemplo. Ele amava flamingos cor-de-rosa.
Pergunta: E o que você acha que tudo isso significava?
Prince: Na época, eu não entendia muito bem o que ele queria dizer. Às vezes eu achava que ele era muito emotivo e até meio obcecado quando falava dessas coisas. Mas hoje eu começo a entender. Agora eu também gosto de olhar para as estrelas. Em noites de céu limpo, você começa a pensar no que mais existe por aí, por que as estrelas parecem tão nítidas. Da varanda da minha casa, eu tenho uma vista linda do céu. Consigo acompanhar as fases da Lua. É um lugar muito bom para refletir. Meu pai costumava pensar em negócios nesses momentos comigo. A gente ficava ali, olhando o céu, comendo Snickers e tomando Coca-Cola, porque ele adorava Snickers e eu também.
Pergunta: O que ele te ensinou sobre negócios?
Prince: Ele me ensinou bastante sobre ações, sobre como você pode ter uma parte de uma empresa. Mas também dizia para tomar cuidado, porque as ações podem cair e sua renda pode cair junto. Ele me inspirou a estudar economia e a me dedicar a qualquer área de negócios que eu escolhesse. Ele sempre dizia para ficar atento às pessoas, aprender como as coisas funcionam e entender os truques do mercado. Ele falava: aprenda o seu ofício e seja muito bom no que faz.
Pergunta: Ele te ensinou alguma coisa sobre a mídia?
Prince: Ele dizia que a mídia inventou muita coisa sobre ele, e ainda inventa. Às vezes isso quase o fazia chorar. Pessoalmente, eu acho que muitas dessas coisas são falsas e ignorantes. Na maior parte do tempo, ele ignorava tudo isso. Mas, às vezes, era difícil, porque aquilo afetava a imagem pública dele. No fim das contas, muita coisa acabou sendo desmentida. Ele sempre me dizia que a mídia pode distorcer as suas palavras, então eu precisava ter cuidado com o que dizia. Até hoje, eu não confio muito em paparazzi, repórteres ou pessoas desse meio. E algumas pessoas que falavam mal dele na época do julgamento depois se aproximaram da família e tentaram agir como amigas. Eu simplesmente não entendo esse tipo de atitude.
Pergunta: Você parece saber bastante sobre tudo o que aconteceu com seu pai. Como se sente quando ouve coisas negativas sobre ele?
Prince: Isso me deixa bravo, mas meu pai sempre dizia: "pague o mal com o bem". Só que, sinceramente, eu não sei muito bem como fazer isso. Eu tento ignorar, porque sei que a maioria dessas pessoas não o conheceu de verdade. Eu não gosto de julgar alguém sem conhecer. Quer dizer... todo mundo faz julgamentos sobre os outros, mas eu prefiro não expressar uma opinião até conhecer a pessoa de verdade. E, mesmo depois disso, eu provavelmente não falaria mal dela. Eu só apontaria os defeitos e tentaria pensar em como ela poderia melhorar. Mas muitas das coisas que falam sobre o meu pai simplesmente não são verdade.
Pergunta: Se as pessoas tivessem conhecido o seu pai de verdade, o que achariam dele?
Prince: Eu não sei. Também não sei mais como as pessoas pensam. Como filho dele, é natural que eu o defenda e é isso que eu faço. Mas acho que, se o mundo inteiro tivesse a chance de conhecê-lo de verdade, veria uma pessoa completamente diferente. Ele não era arrogante nem convencido. Ele se via como uma pessoa normal.
Pergunta: Mas ele era a pessoa mais famosa do mundo…
Prince: Mesmo assim, ele acreditava que tinha recebido um dom. Nas orações antes do jantar, ele sempre agradecia aos meus avós por tudo o que fizeram por ele. E também agradecia a Deus, porque acreditava que Deus tinha lhe dado esse dom.
(...)
Prince: A música do meu pai pra mim é… e assim, sabe… todo mundo tem sua opinião, mas pra mim ninguém superou a música dele e euacho que ninguém vai superar, porque aquilo ali é tipo uma música imortal.
Pergunta: Quando você via seu pai se apresentando em vídeos e coisas assim, o que passava na sua cabeça?
Quando eu era pequeno, quando eu via meu pai se apresentando, eu só ficava me perguntando por que todo mundo idolatrava ele e ficava gritando por ele enquanto ele cantava. Eu achava que todo mundo fazia. Porque, sabe, as pessoas cantam no banho o tempo todo… então eu pensava: “por que todo mundo tá gritando por ele?” E quando fui crescendo, eu ainda ficava pensando no que fazia dele o mais famoso entre todos os cantores. E eu acredito que foi a forma como ele escrevia as músicas, as letras, coisas com que as pessoas realmente se identificavam. E também a forma como ele dançava, era algo que ninguém nunca tinha visto antes. Então agora eu entendo por que as pessoas o admiravam tanto.
Pergunta: Você se encanta tanto com o talento dele quanto o resto do mundo?
Prince: Eu acho que até mais, porque eu nunca imaginei… acho que todo mundo já sabia quem ele era antes de mim. Quando eu descobri, eu fiquei mais surpreso e mais impressionado do que qualquer outra pessoa.
Pergunta: Vamos falar sobre isso. A primeira vez que você descobriu que seu pai era famoso.
Prince: Eu não sei exatamente como foi, porque eu achava que as pessoas eram meio “loucas”. Toda vez que a gente saía, as pessoas vinham pra cima dele, eu ficava espremido no meio da multidão e até os seguranças e a polícia tinham dificuldade de conter. Eu não entendia o que estava acontecendo. Mas acho que fui percebendo quando comecei a usar o computador… porque eu tinha que ajudar com os e-mails dele e tudo mais. E conforme fui ajudando mais na parte dos negócios, comecei a perceber que ele aparecia muito na TV, falavam dele no jornal, no YouTube os vídeos dele estavam sempre entre os mais vistos, tudo era sobre ele. Ele nunca realmente quis nos dizer quem ele era como “celebridade”. Eu só fui entender que ele era o Michael Jackson quando eu tinha uns seis anos. Pra mim ele era só “papai”, e era isso.
Pergunta: Você lembra de ter conversado com ele quando descobriu isso?
Prince: Não, a gente nunca chegou a ter uma conversa direta sobre isso. Eu acho que eu fui juntando as peças sozinho. Não foi tipo um “descobri que ele era famoso”, eu só fui entendendo com o tempo. Você vê filmes, vê TV… e começa a perceber que ele era famoso e que todo mundo o “idolatrava”. Mas eu perguntei uma vez por que ele nunca tinha nos contado isso de forma direta. Ele disse que era porque ele era só uma pessoa normal e queria que a gente o visse só como “pai”. E também porque ele não queria que isso mudasse quem a gente era. Ele dizia que a gente tinha que ser sempre humilde. E ele era assim. E é isso que eu tento ser por causa dele.
Pergunta: Mas você passou a vê-lo de forma diferente depois disso?
Prince: Não. Ele continuava sendo meu pai pra mim. Quer dizer… eu nunca tinha visto ele se apresentar nem nada assim. E acho que, mesmo se eu tivesse visto, isso não teria mudado nada. Eu ia com ele em tudo que eu podia. Eu vi ele se apresentar e mesmo assim continuava vendo ele do mesmo jeito. Nada realmente mudou.
Pergunta: Quando vocês saíam juntos… e ele dava máscaras pra vocês usarem… o que ele te explicava sobre isso?
Prince: Eu achava que aquilo era meio exagerado no começo. Mas depois, quando a gente se mudou pra Las Vegas e ficou um tempo lá, ele dizia que as máscaras eram pra nossa proteção. Eu não entendia muito bem na época, mas depois percebi que era porque, quando a gente estava com ele, as pessoas reconheciam ele, mas não viam a gente. Então a gente podia sair normalmente. A gente ia em lugares como o Circus Circus, com os seguranças, e ninguém reconhecia a gente porque estávamos de máscara. E isso fazia sentido depois, quando ele dizia que era pra proteger a gente.
Pergunta: Quando vocês estavam com ele, as pessoas ficavam em completo desespero. O que você pensava disso?
Prince: Quando eu era pequeno, eu achava que as pessoas eram meio loucas. A gente ia muito pro Reino Unido, e lá ele tinha uma base de fãs enorme. Era o lugar mais caótico que eu já vi. As pessoas se amontoavam em cima dele, e eu acabava sendo pisado também porque ninguém me via. E era estranho porque eles chegavam a parar o trânsito pra tentar alcançar a limusine.
Pergunta: Ele nunca te explicou isso?
Prince: Eu acho que eu meio que já entendia, porque eu ouvia a música dele o tempo todo quando era pequeno. Eu via ele dançando, via ele trabalhando nas músicas. Eu lembro de estar no estúdio quando ele estava gravando o álbum Invincible. Eu lembro de dormir e acordar várias vezes com a mesma música tocando. Não lembro o nome exato da música, mas lembro disso. Eu costumava dormir no sofá de couro do estúdio… e até hoje eu acho sofá de couro confortável por causa disso. E ficar em estúdio com som alto virou algo normal pra mim.
Pergunta: Como ele era trabalhando? Ele trabalhava o dia todo? A qualquer hora?
Prince: Quando a gente nasceu, acho que ele desacelerou um pouco, mas ele nunca parou de trabalhar. Ele sempre dizia que você nunca para de aprender e deve estar sempre em movimento, fazendo coisas. Ele estava sempre lendo, sempre no telefone, sempre planejando coisas. Ele tinha muitos projetos. Ele estava tentando nos incluir em algumas coisas também. Ele trabalhava bastante com música, eu ajudava nisso. Ele fez aquele comercial com os “lagartos de Thriller”, e tinha vários outros planos também. Algumas coisas foram adiadas por causa da turnê, mas ele não parava completamente. Antes de tudo ficar oficial, eu ajudava ele em várias coisas. Eu passava muito tempo com ele. Ele me acordava dizendo que a gente precisava gravar alguma coisa. Ele também amava fotografia. Ele tirava fotos nossas pensando na luz, e quando gostava de um tipo de iluminação, ele tentava recriar aquilo em casa só pra tirar a foto de novo.
Paris: Eu diria que minha primeira lembrança seria do meu terceiro aniversário. Eu lembro que tinha um bolo da Barbie, rosa. Eu só lembro que ele estava sentado na cabeceira da mesa e eu estava à esquerda dele. Acho que essa é a primeira festa de aniversário que eu consigo lembrar.
Pergunta: Como foi?
Paris: Foi barulhento. Muito barulhento. Eu não lembro de muita coisa, só de um pedaço.
Pergunta: Isso não foi em Neverland, né?
Paris: Foi sim.
Pergunta: Como era morar em Neverland?
Paris: Morar em Neverland era incrível. Era muito divertido. E ele meio que… “negociava” com a gente. Ele dizia que, se a gente se comportasse, a gente podia ir ao zoológico, ao parque de diversões ou à estação de trem. E como a gente se comportava, ele deixava a gente ir de vez em quando.
A gente não conhecia muitas crianças da nossa idade. A gente era bem mais isolado. Quase não saía do rancho, então não dava nem pra comparar nossa vida com a de outras crianças. A gente só achava que aquilo era normal. Tipo: “ah, todo mundo tem um parque de diversões no quintal”.
Pergunta: E depois ele levava vocês para viajar. Como era isso?
Paris: A gente viajou bastante. Quando éramos mais novos, mais ainda. Conforme a gente foi crescendo, isso diminuiu um pouco. Viajar era incrível, era muito divertido.
Meus lugares favoritos provavelmente foram Paris, que a gente visitou por alguns dias e foi incrível, e também Japão e Bahrein.
Pergunta: Quando vocês viajavam com seu pai, ele explicava por que estavam indo para esses lugares?
Paris: Não, ele nunca explicava muito. Ele só falava tipo: “arruma as malas hoje à noite porque amanhã a gente vai viajar”. E eu: “ok, legal”.
Pergunta: Você sabia que seu pai era famoso quando era pequena?
Paris: Não muito. Eu só sabia que ele tinha algumas músicas. A gente não ouvia muito a música dele. A gente escutava só um álbum e ficava repetindo sem parar.
Eu e meu irmão fazíamos cabaninhas de travesseiro, colocávamos a música dele no volume máximo no hotel e ficávamos pulando pelo quarto inteiro. Era muito divertido.
Pergunta: Qual álbum?
Paris: Acho que era Off the Wall. Acho que a gente ficava ouvindo esse álbum direto.
Pergunta: Você tem uma música ou álbum favorito dele hoje?
Paris: Não tenho uma música favorita específica. Eu gosto de várias. Eu amo “The Lost Children”, “Don’t Walk Away” e a que ele fez com o Carlos Santana, “Whatever Happens”.
Pergunta: Me conta quando você descobriu que seu pai era famoso.
Paris: Acho que foi quando eu tinha uns 10 ou 11 anos. A gente ia aos shows dele quando eu tinha uns 6 ou 7. Eu lembro que eram incríveis, mas eu não tinha noção de quantas milhares de pessoas estavam lá.
Eu só via ele se apresentando e pensava: “meu Deus, ele é incrível”. Mas eu era só uma grande fã dele também.
Às vezes a gente passava pelas multidões, e eu e o Prince acabávamos sendo pisados. O Blanket era carregado porque era muito pequeno, mas a gente era espremido no meio da multidão. Uma vez eu perdi a mão do meu pai e fiquei em pânico. Eu só lembro dele me pegando de volta e correndo. Eu pensei: “ainda bem”.
Pergunta: Ele chegou a te explicar por que sempre tinha tanta confusão ao redor de vocês?
Paris: Nunca teve uma explicação muito clara. Quer dizer, a gente também não perguntava muito.
Pergunta: Você achava que todos os pais eram famosos?
Paris: Sim.
Pergunta: Agora que você sabe, o que você pensa de toda essa situação? E dele como artista?
Paris: Eu tenho muito orgulho dele e orgulho de ser filha dele. E eu tenho que dizer — muita gente vai discordar de mim — mas eu definitivamente sou a maior fã dele.
Pergunta: Acho que ninguém vai discordar disso. O que você tem a dizer sobre o legado musical dele, sobre o que ele deixou pro mundo?
Paris: Ele contribuiu muito pro mundo. Ele mudou vidas, salvou vidas. Ele era simplesmente incrível. Eu realmente espero que o legado dele continue pra sempre — e eu sei que vai. A música, o trabalho social, tudo.
Pergunta: Vocês faziam muito trabalho de caridade com ele?
Paris: A gente não podia sair muito. A gente ficava em vários lugares, mas às vezes saía. Eu lembro de ter ido com ele a um hospital uma vez… ou duas. Eu não lembro exatamente. Ele sempre me incentivava a ser o melhor que eu pudesse ser. Me ajudou muito com atuação e dizia que queria que eu começasse a atuar o mais cedo possível.
Pergunta: Que tipo de coisas vocês faziam juntos?
Paris: A gente fazia exercícios de improvisação juntos.
Pergunta: Ele te falava também sobre o lado ruim da indústria?
Paris: Falava, sim. Ele dizia que existiam muitas pessoas ruins por aí e falava um pouco sobre conspirações e coisas assim.
Pergunta: O que exatamente ele dizia, se quiser compartilhar?
Paris: Não muita coisa… mas conforme a gente foi crescendo, a gente foi entendendo mais por conta própria. Mas ele dizia que muita gente tinha inveja dele e faria qualquer coisa pra derrubá-lo — inventar rumores, processar com mentiras. Ele dizia que, no fim, muita gente só quer algo das outras pessoas.
Pergunta: Você acha que o mundo entendeu seu pai?
Paris: Não muita gente entendeu. A maioria não realmente o entendia.
Pergunta: O que você acha que as pessoas deixam de entender sobre quem ele realmente era?
Paris: Que ele era muito normal. Ele era uma pessoa muito bondosa. Sempre muito generoso. Ele é como uma pomba… a pomba é um dos meus animais favoritos, e ele é assim… inocente, puro e um amor.
Pergunta: Qual a sua lembrança favorita do seu pai?
Paris: Uma lembrança favorita… é difícil. Tem muitas. Teve várias no Bahrein, quando a gente ficava no terraço só conversando, ou na Irlanda, quando eu saía pra caminhar na floresta com ele. Era muito legal.
Pergunta: Quando você acha que ele foi mais feliz?
Paris: Eu acho que ele era mais feliz quando podia se disfarçar e ser normal. A gente foi algumas vezes à Disney e ele se disfarçava. Ele conseguia só ser uma pessoa comum, sem ninguém incomodar ou ficar pedindo coisas pra ele.
Pergunta: Então você acha que no fim ele só queria não ser o Michael Jackson?
Paris: Sim.
Pergunta: A primeira vez que o mundo te viu foi no discurso do memorial dele. Por que você sentiu que precisava falar naquele momento?
Paris: Eu não sei. Só senti que era o certo. Eu não conseguia falar direito no memorial… quando eu choro minha voz fica muito fina e eu não consigo falar. Mas eu não sei exatamente por que eu fiz aquilo.
Pergunta: Você sente que precisa defendê-lo?
Paris: Com certeza. Eu sempre vou defendê-lo.
Pergunta: Que tipo de pai ele era?
Paris: Eu não consigo nem imaginar como seria ter um pai diferente dele. Ele era incrível.
Pergunta: O que fazia ele ser tão incrível?
Paris: Ele era gentil… o cara mais doce do mundo.
Pergunta: Qual foi a coisa mais importante que ele te ensinou?
Paris: Ele dizia “sempre seja humilde”, “não se ache demais”, “não seja convencido”, “sempre seja humilde” e "valorize o que você tem".
Pergunta: Você provavelmente já viu várias performances dele online, tipo o primeiro moonwalk…
Paris: Sim, aquilo foi incrível.
Pergunta: Quando você vê seu pai dançando assim, o que você pensa?
Paris: Eu fico tipo: “uau, eu queria conseguir fazer isso”. Ele prometeu que ia me ensinar o moonwalk… mas nunca chegou a fazer isso.
Pergunta: Vocês já dançaram juntos?
Paris: Às vezes. Ele me ensinou um pouco de pop e lock.
Pergunta: E cantar juntos?
Paris: Sim. Ele me ensinou muito sobre notas. Ele me ensinou a ir bem alto e depois bem baixo. Por isso eu consigo cantar soprano e outras coisas assim.
Pergunta: Você sabe que seu pai se apresentava desde os cinco anos de idade, certo? E agora você quer seguir os passos dele?
Paris: Sim.
Pergunta: Mas seu pai também disse publicamente que sentia que tinha perdido a infância. Como você se sente sobre possivelmente seguir o mesmo caminho?
Paris: Bom… a verdade é que a gente meio que não tem escolha. A gente nasceu nisso. Então, de qualquer forma, não acho que isso vai ser muito diferente.
Pergunta: Você aprendeu alguma lição sobre a fama do seu pai agora que você também pensa em seguir esse caminho?
Paris: Sim… tipo, ter cuidado e garantir que sua imagem pública esteja sempre impecável, porque as pessoas vão tentar de tudo contra você.
Pergunta: Seu pai era muito famoso, mas ninguém realmente sabia como ele era por trás disso…
Paris: Ele era muito amado no mundo todo. Também era muito odiado, mas a única razão disso é porque as pessoas tinham inveja dele.
Pergunta: “Odiado” é uma palavra forte…
Paris: Existem muitas pessoas ruins por aí.
Pergunta: Foi isso que seu pai te disse?
Paris: Sim.
Pergunta: Então como você pretende lidar com isso?
Paris: Não tem muito como “escapar” dos haters… a única forma é ignorar. Não deixar isso te afetar.
Pergunta: O que você quer que o mundo saiba sobre seu pai agora?
Paris: Que ele era uma pessoa incrível, simples, com uma alma velha. Ele era incrível.
Pergunta: “Alma velha”?
Paris: Sim.
Pergunta: Como era sua relação com ele?
Paris: Ele era meu melhor amigo. A gente meio que era "os brincalhões". Ele me ensinava várias pegadinhas e, quando a gente recebia visitas — família, primos, amigos — a gente sempre ficava aprontando. Era divertido. Na Irlanda tinha mais liberdade, tinha muito espaço, então a gente corria por todo lado. Tinha uma cachorra chamada Rosie, uma border collie. Ela era tudo. Quando chovia, ela ficava na porta esperando, e a gente deixava ela entrar. Aí meu pai ficava bravo porque a gente acabava estragando as toalhas secando ela. Ele descia e via o cachorro no sofá perto da lareira e falava: “o que o cachorro tá fazendo aqui?” Ele ficava muito bravo… ele amava animais, mas não gostava que eles sujassem a casa.
Pergunta: Por quê? Ele era obcecado por limpeza?
Paris: Sim. Ele era de Virgem… então tipo…a cama dele sempre estava perfeita. Mas ao mesmo tempo tinha coisas espalhadas, DVDs, tudo meio bagunçado… só a cama e o lugar onde ele dormia eram impecáveis. Quando a gente ficou em Bel Air por um tempo, ele foi no banheiro depois de arrumar a cama. Eu peguei o travesseiro só pra zoar e virei ele pra baixo. Ele saiu, arrumou de novo. Quando ele virou as costas eu virei outra vez. Ele olhou pra mim, olhou pro travesseiro, arrumou e falou: “não se atreva a mexer nisso”. Ele sabia que eu tava zoando. A gente adorava fazer isso com ele e ele também fazia com a gente.
Pergunta: Quando vocês foram pra Irlanda e tudo mais… muita gente nem sabia que ele estava lá, né?
Paris: É, muita gente não sabia. A gente ficava num lugar mais isolado, mas tinha bastante terra lá.
Pergunta: Deve ter sido muito divertido pra vocês.
Paris: Foi muito divertido. Tinha uns cogumelos tipo “arco-íris”… é difícil explicar… você pisava neles e eles mudavam de cor.
Pergunta: Isso deve ter sido bem diferente para ele.
Paris: Sim. Foi legal. Ele meio que conseguiu dar uma pausa de ser ele mesmo. Ele ficava em casa, de boa.
Pergunta: Como isso foi pra ele?
Paris: Acho que foi muito bom pra ele. Ele dormia bem mais. Só descansava e ficava mais tranquilo.
Pergunta: Só uma vida normal, né? Você acha que esse foi um dos momentos mais felizes pra ele?
Paris: Sim. Ele sempre quis ter um gostinho de vida normal. Então na Irlanda era mais fácil pra ele.
Pergunta: Vou te perguntar sobre This Is It. Como ele anunciou que ia voltar pros EUA e trabalhar no show?
Paris: Ele só falou pra gente. A gente morou em Las Vegas por bastante tempo e depois fomos pra Los Angeles… a gente ia e voltava de carro com frequência. Ele não gostava muito de LA, mas a gente ia bastante por causa do trabalho. Depois ele disse tipo: “ok, a gente vai ter que se mudar pra LA”. E a gente ficou tipo “não!”, porque a gente amava Las Vegas. Mas a gente acabou se mudando. Eu fiz meu aniversário de 11 anos lá, e depois ele falou que ia fazer a última turnê dele. A gente ficou muito animado porque ele disse que a gente ia morar em Londres por alguns meses no verão. Então a gente ficou bem feliz.
Pergunta: Mudar toda hora… você gostava disso?
Paris: Era divertido. Tipo, a gente reclamava “ah, vamos ter que mudar de novo”, mas conhecer vários lugares era incrível.
Pergunta: Ele tentava ensinar vocês sobre culturas?
Paris: Sim. A gente tinha professora em casa e sempre aprendia coisas diferentes. Quando a gente morava na Irlanda, a gente estudava mitos tipo banshees e leprechauns. No Japão, a gente aprendia sobre dragões chineses e dragões japoneses, esse tipo de coisa.
Pergunta: O que é banshee?
Paris: Eu acho que é tipo um espírito que grita… e dizem que se você ouvir esse grito, significa que você vai morrer e ela vai vir atrás de você.
Pergunta: Isso parece assustador. Então vocês estavam animados para This Is It?
Paris: Sim, tava todo mundo animado. Ele disse que às vezes a gente ia poder ficar na plateia e assistir ele se apresentar, então a gente ficou muito empolgado. E nos ensaios de This Is It, muitas das roupas que ele usava… tinha uma camisa vermelha que ele usava. Eu que escolhia a maioria das roupas dele e montava os looks pra ele. A gente foi uma ou duas vezes ver nos ensaios. E eu lembro que o Blanket ia com ele o tempo todo… a gente ficava tipo: “nossa, ele é tão sortudo”.
(...)
A gente estudava em casa numa sala e o quarto dele era logo em cima. Então quando ele estava dançando, ele batia forte no chão e a poeira caía do teto. A gente só ouvia o barulho de passos fortes, e a professora chegava e perguntava: “o que é isso?” e eu respondia: “ah, é só nosso pai dançando”.
Pergunta: Você pensa no legado do Michael e tudo o que ele fez e sente que precisa dar continuidade a isso?
Paris: Sim, eu realmente quero seguir os passos dele e continuar essa ideia de “salvar o mundo”.
Pergunta: Você sente que são grandes expectativas pra cumprir?
Paris: Sim.
Pergunta: Qual você acha que foi o maior feito do seu pai?
Paris: Eu não sei… não tenho uma resposta pra isso.
Pergunta: Ele chegou a te explicar sobre o perigo de falar com a mídia e te orientar a ter cuidado com o que você diz?
Paris: Sim.
Pergunta: Tem algo específico que você queira compartilhar?
Paris: Ele dizia pra sempre tomar cuidado com o que você fala pra mídia e com o que você coloca pra fora, porque eles sempre vão tentar usar isso contra você, sempre vão tentar te derrubar e prejudicar sua reputação o máximo possível.
Pergunta: Então você acha que ele estava certo?
Paris: Com certeza.
Pergunta: Então quando você vê coisas negativas que são escritas sobre ele, o que você quer dizer pra essas pessoas?
Paris: O que você quer dizer?
Pergunta: Tipo qualquer coisa negativa que escrevem sobre seu pai ou pessoas que ainda falam coisas sobre ele…
Paris: Bom, a maioria das coisas que as pessoas falam não me afeta muito. E eu espero que meu irmão mais novo nunca leia esse tipo de coisa, porque ele é muito sensível. E eu realmente não quero isso, porque ele fica muito… a gente fica assim também. A gente fica bem defensivo quando é sobre ele. Se acontece alguma coisa, a gente já levanta na hora, começa a falar, tipo “não, isso não!”… a gente fica bem defensivo. E eu espero mesmo que ele nunca leia esse tipo de coisa.
Pergunta: Mas se ele ler, o que você vai dizer pra ele?
Paris: Eu provavelmente… se ele ler isso online, eu ia pegar o computador dele. E falar tipo: “para de olhar isso”.
Pergunta: O Blanket é muito novo e deve lembrar menos do que você lembra.
Paris: É.
Pergunta: Então como você pretende manter viva a memória do seu pai?
Paris: Provavelmente com muitos vídeos. A gente tem alguns vídeos antigos, de cartões de memória das câmeras dele. Ele amava fotografia, então ele sempre filmava o Blanket, eu e o Prince.
Pergunta: Você sabe qual era a mensagem dele pro mundo?
Paris: Que as pessoas precisam parar de se odiar e começar a amar mais. Amar todo mundo. Parar com crime… esse mundo é muito corrompido… eu perdi o raciocínio… Mas ele queria salvar crianças também. Eu lembro dele falando que existe Dia dos Pais, Dia das Mães, mas não existe Dia das Crianças em muitos lugares… e que as pessoas precisavam amar mais, compartilhar mais amor.
Pergunta: Todo mundo com quem eu falei disse coisas incríveis sobre ele. Claramente ele era uma pessoa incrível, mas ainda assim havia muita negatividade. Por que você acha que isso acontecia?
Paris: Eu acho que essa negatividade vem de inveja. Ele era muito talentoso e muito bondoso, e algumas pessoas simplesmente sentem necessidade de odiar.
Pergunta: Você acha que ele poderia ter sido mais duro pra evitar isso?
Paris: Sim… mas ele era muito parecido com a minha avó nesse sentido. Meu avô era o mais duro, mais protetor… e minha avó é uma pessoa muito doce, incrível em tudo. E ele era muito assim também, muito bondoso, então tinha dificuldade de dizer não.
Pergunta: Você acha que se aproveitaram dele?
Paris: Sim, muita gente se aproveitou dele. Mas ele nunca mudou por causa disso.
Pergunta: Qual você acha que é a maior lição que você vai levar pra sempre que seu pai te ensinou?
Paris: Permanecer unidos. Ele sempre dizia pra gente que, se alguma coisa acontecesse com ele, a gente tinha que ficar junto, cuidar um do outro, não importa o que acontecesse… aguentar firme e seguir em frente.
Pergunta: Isso é bem pesado…
Paris: É.
Pergunta: Então como você quer lembrar do seu pai daqui pra frente, como parte do legado dele?
Paris: Eu nunca vou esquecer ele, nunca. Eu acho que a melhor forma de manter o legado dele vivo é seguir os passos dele e tentar ajudar, "curar o mundo", parar a poluição e coisas assim.
Pergunta: O que você mais vai sentir falta?
Paris: Eu sinto falta do humor dele… da personalidade dele.
Pergunta: Você consegue descrever isso?
Paris: Eu tô ficando emocionada…
Pergunta: Você precisa de um minuto?
Paris: Agora eu tô bem… tô bem.
Pergunta: Eu entendo… de verdade. Eu sei que ele era seu pai.
Pergunta: Você gostava de viajar com seu pai?
Bigi: Sim, mas viajar era bem difícil.
Pergunta: Pra onde vocês foram?
Bigi: A gente foi pra Irlanda, pro Oriente Médio, tipo o Bahrein, e também pro Japão.
Pergunta: Algum lugar favorito?
Bigi: Não exatamente, todos eram legais… mas o Bahrein foi bem divertido.
Pergunta: Você lembra de morar no rancho Neverland?
Bigi: Eu era muito pequeno, tinha tipo um ano, então não lembro de quase nada dessa época. Mas ouvi dizer que era muito legal e vi fotos.
Pergunta: E o que você acha de como seria morar lá?
Bigi: Acho que teria sido muito divertido, porque eu até voltei lá uma vez. Nem tudo estava igual, mas dava pra ver como era tudo organizado e cheio de coisas legais. Tinha uma piscina enorme e lugares pros animais.
Pergunta: Que tipo de filme você quer dirigir?
Bigi: Comédia. Eu não gosto de filmes de terror.
Pergunta: Não gosta?
Bigi: Não. Porque eles são assustadores. Eu gosto de alguns filmes de terror… os mais engraçados, aqueles meio “toscos”, sabe? Que dá até pra rir. Mas eu não assisto muito filme de terror. O Prince gosta bastante.
Pergunta: Você viu “Thriller”?
Bigi: Sim.
Pergunta: O que achou?
Bigi: Fiquei meio assustado quando vi, mas foi muito legal.
Pergunta: Você assistiu com seu pai?
Bigi: Acho que sim.
Pergunta: E ele falou o quê sobre isso?
Bigi: Ele não falou nada, porque ele não gostava de assistir o próprio trabalho. Ele estava no mesmo cômodo, mas não estava vendo. Ele era meio tímido com o próprio trabalho.
Pergunta: Por que você acha que ele era tímido? Ele era tão bom…
Bigi: Talvez porque ele era humilde e não gostava de se exibir. Algumas pessoas fazem isso, mas nem todos os famosos são assim. Ele dizia: “você sempre deve ser humilde, porque os melhores artistas são os humildes”. Então eu acho isso algo bom, porque ser convencido não é legal. Eu não sou convencido… só às vezes quando estou jogando videogame e tal, mas no geral não sou assim.
Pergunta: O que você quer que as pessoas mais lembrem do seu pai?
Bigi: Que ele ajudou muita gente. Que a música dele mudou muitas pessoas e que ele fez muitas coisas boas pelo mundo.
Pergunta: Como você acha que a música dele mudava as pessoas?
Bigi: Ela tocava o coração das pessoas. Ele fazia músicas de vários tipos: as mais tristes e as mais animadas… por isso. E ele também ajudou muito o mundo com caridade e essas coisas, por isso as pessoas admiravam ele.
Pergunta: Vocês já foram com ele nessas coisas?
Bigi: Sim.
Pergunta: O que vocês fizeram?
Bigi: Eu fui com ele pra Rússia uma vez. A gente não ficou muito tempo, só algumas horas. Ele foi lá pra fazer alguns shows.
Pergunta: Então vocês só foram com ele, ele fez o show e voltaram?
Bigi: Isso.
Pergunta: O que você achava de viajar tanto?
Bigi: Eu pensava que era um privilégio, porque nem todo mundo consegue isso. Mas era muito divertido, porque a gente via muitos lugares diferentes e culturas diferentes. Isso era o mais legal.
Pergunta: Seu pai te ensinava algo sobre o que vocês estavam vivendo?
Bigi: Às vezes.
Pergunta: O que ele te ensinou sobre a Rússia?
Bigi: Na verdade a gente não chegou a aprender muito sobre a Rússia, porque eu só fiquei dentro de um carro. Eu andei pela cidade por uns 30 minutos. Mas a Rússia é um lugar legal.
Pergunta: Você ficava com seu pai quando ele estava ensaiando para “This Is It”?
Bigi: Sim, às vezes.
Pergunta: Como foi?
Bigi: Ele treinava muito pesado, o que era uma coisa boa. Eu achava que ele ia se sair muito bem porque ele se dedicava demais. Ele passava tipo metade do dia ensaiando e quase não fazia pausas. Ele não gostava muito de lanchar nem nada disso, ele bebia muito suco de beterraba. Ele quase não parava. Às vezes ele descansava por uns cinco minutos, mas logo já voltava a se preparar de novo.
Pergunta: Muita gente espera que você consiga dançar como ele?
Bigi: Algumas pessoas.
Pergunta: O que você acha disso?
Bigi: Eu não culpo elas, mas eu não sou muito bom dançarino... eu venho de uma família musical, mas eu não sou uma pessoa muito musical. Eu gosto de música, mas não sou tão talentoso pra cantar e essas coisas. Eu tenho outros talentos.
Pergunta: Quais são seus outros talentos?
Bigi: Eu gosto de aprender sobre animais. Eu gosto muito de animais, então eu sei bastante coisa porque tenho muitos livros sobre isso.
Pergunta: Seu pai te dava esses livros?
Bigi: Sim, porque ele sabia que eu gostava de animais, eu acho.
Pergunta: Ele também tinha muitos animais, né?
Bigi: Sim. Ele deu pro Prince um cachorro de presente de Natal. A gente ganhou um cachorro chamado Kenya e ele ainda está com a gente. Ele é muito bonzinho.
Pergunta: E vocês têm outro cachorro, o “Jackson”?
Bigi: Sim.
Pergunta: Fofo…
Bigi: Ele é meio bravinho…
Pergunta: Mas eles parecem bem tranquilos…
Bigi: Eles são tranquilos com as pessoas, mas o Jackson e o Kenya gostam de brincar de brigar. Eles ficam “lutando” com outros ao redor… e aí as pessoas até se afastam porque às vezes fica meio intenso. Mas pelo menos eles nunca se machucam.
Pergunta: Acho que você estava falando sobre os animais do seu pai… né?
Bigi: Sim… ele tinha tipo um zoológico. Ele tinha girafas, leões, jacarés… acho que crocodilos também… tinha cobras e vários animais bem legais.
Pergunta: Teria sido divertido, se você tivesse ficado em Neverland…
Bigi: Você provavelmente já deve ter ouvido falar, mas ele tinha um chimpanzé chamado “Bubbles”.
Pergunta: Você também já ouviu falar disso, claro. Você lê muitas notícias sobre seu pai?
Bigi: Eu não leio notícias. Mas eu sabia do que acontecia. Eu não lia jornal nem nada, mas eu ficava sabendo de tudo que acontecia.
Pergunta: Então o que você acha disso tudo?
Bigi: Bom, era interessante ver as diferentes opiniões das pessoas.
Pergunta: Você acha que elas estão certas ou erradas?
Bigi: Às vezes eu concordo, às vezes não.
Pergunta: Me dá um exemplo.
Bigi: Eu concordo quando elas dizem… tipo, se ele lançava uma música nova e falavam “é uma ótima música”. Mas a imprensa, sabe, que falava coisas ruins… eu não acho que eles estavam certos.
Pergunta: E como você se sentia quando falavam isso?
Bigi: Eu achava que era maldoso. Mas se é a opinião deles, então é a opinião deles. Todo mundo tem opiniões diferentes.
Pergunta: Você chegou a conversar com seu pai sobre essas coisas?
Bigi: Não, eu era bem pequeno na época. Eu não entendia muito disso.
Pergunta: E você é velho agora! (risos)
Bigi: É (risos).
Pergunta: Agora que você é mais velho, como acha que vai lidar com isso se acontecer com você?
Bigi: O que eu vejo nele é que ele era uma pessoa muito gentil. Ele não revidava, não brigava com ninguém. Ele deixava pra lá e deixava as pessoas falarem o que quisessem. Ele nunca brigava como alguns famosos fazem. E acho que isso era bom.
Pergunta: Você acha que isso era bom?
Bigi: Sim, eu acho.
Pergunta: Mas isso não impediu as pessoas de falarem coisas sobre ele…
Bigi: Mas eu acho que algumas pessoas gostam quando você fica bravo. Então, se você não reage, às vezes elas simplesmente param. Acho que essa era a estratégia dele.
Pergunta: Qual a coisa mais importante que você quer que as pessoas lembrem do seu pai?
Bigi: Que ele ajudou muita gente. Ele ajudou países diferentes, continentes diferentes, cidades diferentes. Alguns famosos são meio apegados ao dinheiro e guardam tudo só pra si. Mas ele compartilhava com instituições de caridade e pessoas pobres, ele ajudava muita gente. Uma vez vimos um homem na rua pedindo um dólar e ele deu 200 dólares pra ele. E ainda comprou um livro e um sanduíche.
Pergunta: Você quer fazer coisas assim quando ficar mais velho?
Bigi: Sim. Eu quero tentar ajudar lugares como a África, porque é um continente muito pobre. Também quero ajudar a Índia e outros lugares do mundo.
Pergunta: O que você quer fazer exatamente?
Bigi: Ajudar a arrecadar dinheiro, dar educação. E também quero ajudar animais quando eu for mais velho, porque muitos estão sendo mortos por caçadores ilegais. Então eu quero ajudar espécies em extinção.
Pergunta: De onde você aprendeu tudo isso?
Bigi: Lendo, principalmente. Porque nos livros sobre animais dizem que os humanos matam mais eles do que os predadores naturais… é meio triste. E muitos países são pobres por causa de guerras e tudo mais, e isso custa tanto que eles acabam quebrando, ficando sem recursos. Então eles precisam de dinheiro, e eu quero ajudar.
Pergunta: Você conversava com seu pai sobre isso?
Bigi: Um pouco.
Pergunta: E o que ele dizia?
Bigi: Ele dizia que isso era o certo a fazer, e que eu devia fazer isso e não deixar ninguém me dizer o contrário.
Pergunta: Então, se você não quer cantar e dançar como seu pai… como pretende manter o legado dele? A música dele?
Bigi: Bom, eu espero que as pessoas gostem dos meus filmes… e com o dinheiro que eu ganhar, eu quero ajudar pessoas na África com seus problemas e também ajudar os animais.
Pergunta: Isso é incrível… de verdade. Fiquei emocionada. Ele chegou a te ensinar sobre filmes?
Bigi: Sim, ele nos mostrou algumas coisas. Ele disse isso porque eu e o Prince queremos ser diretores. Então ele nos deu algumas dicas e falou que a gente deveria usar essas dicas quando fôssemos mais velhos… porque eu não sei o que a Paris quer ser, acho que atriz ou cantora… mas eu e o Prince queremos ser diretores.
Pergunta: Você lembra de algumas dessas dicas?
Bigi: Ele disse que você deve ser legal com seus funcionários. E que você precisa ter as pessoas certas, pros trabalhos certos. E outras coisas assim.
Pergunta: Então você está na escola também, igual a Paris e o Prince?
Bigi: Não, eu estudo em casa.
Pergunta: Por quê?
Bigi: Não sei. Eu gosto de estudar em casa.
Pergunta: O que você está aprendendo?
Bigi: Em que matéria?
Pergunta: Você me diz… a sua favorita.
Bigi: Minha favorita é ciência. Porque eu aprendo sobre animais, e como eu já disse, eu gosto muito de animais. Eu tenho um projeto agora sobre tubarões. É bem legal. Eu tenho que juntar informações, descobrir o que eles comem e onde eles são encontrados no mundo. E também estou aprendendo outras coisas, tipo ciclos da vida, rochas, água, o planeta e os animais. Por isso eu gosto de ciência, é bem divertido. E eu também tenho aula de japonês e espanhol. E no ano que vem vou fazer russo.
Pergunta: Uau, você escolheu essas matérias?
Bigi: Algumas sim. Eu escolhi japonês e precisava escolher mais uma, então fiquei com espanhol. E no ano que vem provavelmente vou fazer russo.
Pergunta: Muitas pessoas falam com você sobre seu pai?
Bigi: Bom, quando eu menciono ele, elas gostam de me contar histórias… as pessoas que o conheciam bem e eram próximas dele.
Pergunta: As pessoas te reconhecem onde você vai?
Bigi: Às vezes sim… mas às vezes não.
Pergunta: Como você se sente quando alguém te reconhece?
Bigi: Se tiram fotos de mim, eu entendo, porque meu pai era famoso. Eu não fico bravo. Eu só acho que é errado invadir a privacidade de alguém desse jeito.
Pergunta: Seu pai já falou com você sobre isso?
Bigi: Não. Mas ele nos falou sobre uma música dele chamada “Privacy”. Ele não se importava com câmeras, mas dizia que não é certo entrar tanto na vida de alguém assim. Você pode até perguntar coisas, ouvir histórias, mas não precisa ficar se metendo em tudo da vida da pessoa, porque isso não é legal.
Pergunta: Você sabe o impacto que seu pai teve no mundo?
Bigi: Sim, ele ajudou muitas pessoas em inúmeras coisas. Ele fez muito bem.
Pergunta: Você acha que esse foi o trabalho mais importante dele?
Bigi: Sim. Usar o dinheiro dele pra ajudar as pessoas… não ser um daqueles famosos que só se exibem, compram coisas e acham que são melhores por isso.
Pergunta: Então essa é a maior lição? Ganhar dinheiro e ajudar as pessoas com ele?
Bigi: Sim. Acho que sim.




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